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Meus caros amigos – I

E ai você nasce… Até então, ela era a princesinha daquele lar. De repente vocês dividem o mesmo quarto e tudo o que era dela, passa a ser seu também.

Tá… Talvez não seja tão simples assim, considerando que o “tudo” inclui também os pais dela. Os nossos pais. Mas sei lá, pra gente isso quase nunca foi problema.

Fomos nos ajeitando da melhor forma possível… Afinal, os quase 7 anos de diferença, pareciam muito maiores naquela época.

Em determinado momento, enquanto eu enchia nossas camas com as tralhas da Barbie, ela queria contar para as amigas sobre os carinhas da matinê de domingo. Quando chegou a minha vez de falar com ela sobre os carinhas de domingo, ela já estava na facul, ralando no trabalho e me dando a primeira “roupa de marca”, uma calça carésima da, na época carésima, Opera Rock (gente, isso foi em 97, acho).

Passei a ouvir as mesmas coisas que ela (tks God). Aquela coisa boa de quem cresceu nos anos 80 – década que, definitivamente não foi feita só de polainas, calças de cintura alta e blusas com mangas bufantes (Vixe! Estou usando tudo isso, de novo). Faith no More, New Order e até a música dos macumbeiros (Ah. Dá um tempo, né gente? Eu tinha 6 ou 7 anos, não conseguia nem dizer meu nome completo ainda).

Enquanto eu crescia e ultrapassava o seu 1,56 m de altura, passamos a dividir também algumas roupas (na verdade, eu usava tudo o que era dela). Era muito bom pra mim, e nem tão vantajoso pra ela, mas sem grandes crises.

Mas aí… Eis que ela conhece um cara. Dessa vez era diferente. Um dia compraram uma casa horrorosa e transformaram num lugar lindo, meio praiano. Eles tinham também o cachorro perfeito e tudo era como deveria ser.

Em sua última noite na casa dos meus pais, no quarto que será sempre “nosso”, dormimos de mãos dadas. Nem preciso mencionar câimbras e marcas nos braços… lágrimas e risadas.

E veio o casamento. Ou seja, chorei o dia todo, começando no momento em que ela saiu para o tal dia da noiva, passando pelos inconvenientes filmes exibidos na TV naquele dia (Porra, Deus! Noiva em fuga e O casamento do meu melhor amigo, foram muito jogo baixo) e que persistiu enquanto eu tomava banho e fazia maquiagem (e para de chorar, Moça, senão vai borrar tudo antes de ficar pronta).

Chorei no momento em que tocou a música dos padrinhos; enquanto atravessei todo o corredor até o altar (acho que se fosse um corredor polonês eu não choraria tanto) com a boca tremendo; chorei de forma intensificada enquanto estava lá no altar e… de repente… Numa paz que surgiu sei lá de onde, eu parei de chorar…

Percebi o quanto estava sendo boba e comecei a sorrir. Curti a festa. E bebi. E dancei. E nos abraçamos e tiramos um milhão de fotos. Mas a festa acabou e fui pra casa. Uma casa em que nem eu moro mais. Exceto aos domingos, quando visitamos nossos pais.

A cumplicidade continua. Os interesses também. Continuamos em fases diferentes, mas pra mim sempre foi importante dividir com ela. Contar com a ajuda dela. Ver a risada dela. E assim sempre será.

Homemade

Tá. Eu nunca contei aqui minhas experiências/peripécias caseiras. Não que eu me envergonhe… quer dizer… tá bom, vai… talvez eu me envergonhe… Mas, pô!! Alguém tem que me dar um desconto, né? Moro sozinha há menos de um ano e, vira e mexe, eu me fodo com com alguma merda que apronto alguma coisa acaba não saindo como o planejado.
 
Deixa eu ver, não pode ser uma lista tão embaraçosa assim:
 
1 – Furei um maldito cano, tentando colocar um maldito prego, para fixar meu maldito relógio. Hoje imagino, porque diabos não encontrei o ganchinho super aderente que hoje prende o tal relógio na parede?
 
2 – Tentei arrancar os espelhos que colei na parede com uma tola pretensão de alinhá-los. Conclusão: arranquei metade do reboque. Colei de novo (tortos, de novo) porque, no final das contas alguma coisa precisava esconder as crateras que a fita banana deixou;
 
3 – Tirei o antigo lustre. Doei o antigo lustre. Comprei um novo. Seis meses depois (O que vocês estão pensando, tenho muitas coisas pra fazer…) instalei o tal lustre e me dei conta de que não tem nada a ver com o resto da casa. Resultado: buraco no teto;
 
4 – Habitual: comidas que queimam/Ficam ruins / Sem gosto / Salgadas / Apimentadas… etc.
 
Isso sem dizer que cozinhar só pra mim, além de potencialmente perigoso, está fora de questão. Tá bom, vai. As vezes faço aquele miojinho super elaborado com ingredientes extras e tals, mas só me arrisco no fogão mesmo quando meu incrível namorado tá lá e me ajuda.
 
Ontem, por exemplo, fomos no mercado, fizemos uma listinha seleta cheia de comidinhas leves e depois passamos a tarde na cozinha, lavando, cortando, temperando, conversando, trocando beijinhos e risinhos… Demoramos umas quatro horas para preparar um jantar e uma salada de frutas que hoje, seria o começo da minha enésima dieta.
 
Tenho que admitir que a salada de fruta ficou linda.
 
Pausa no trabalho, segui direto para o meu saudável lanchinho. Eis que: a banana estava preta e molenga; o abacaxi azedo de lacrimejar; a maçã esfarelando… Ai, ai…  A uva e o morango até que ficaram ok, mas sumiram no meio das outras. A subestimada laranja até que ficou boa, mas o fato é que isso não salvou o meu rango e muito menos o meu humor.
 
Bom… tenho que confessar que, tirando estes pequenos problemas, eu até que estou pegando gosto pela arte de cozinhar. Assim que alguma receitinha minha, simples e gostosa, der certo, eu posto aqui com foto pra vocês. Só não coloco uma foto da massaroca que virou minha salada de frutas porque isso iria dar um novo sentido à expressão “natureza morta”…

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