O relógio despertou 6h45, mas só tive coragem de sair da cama às 7h02. Era o começo de um novo dia, uma nova rotina que, já há algum tempo, queria impor. Seria esse, o início de uma história de superação, digna de um depoimento no final da novela das oito? Como as daquele diretor que adora personagens ricos/lindos/problemáticos? (Bom, problemática eu até sou, mas isso é tema para outro post).
Saindo do prédio já me deparei com uma cena inusitada. Uma senhora loira, bonitona, descendo a minha rua de costas. Gente, ela estava descendo uma ladeira maldita de costas!!! Fiquei pensando se era um costume local (sou nova no bairro), mas achei melhor não desafiar a gravidade e segui, de frente mesmo.
Lá estava a Avenida Sumaré, minha nova pista de Cooper caminhada, com terreno irregular e recheada de fezes. Cagadas de todos os tipos: fresquinhos, sequinhos, pisados, ensacados, verdes, marrons e pretos. E claro, se tinha cocô, os cachorrinhos também estavam lá. Mas eles não têm culpa, né?
Cagada também foi não levar o iPod. Uma sinfonia de buzinas, freadas e acelerões, acompanhados de um xingamento e outro entre os motoristas estressados.
Esse era o cenário, mas não desanimei. Eu tinha que resistir. Merda, barulho e monóxido de carbono não seriam páreos para mim.
Comecei a caminhar e até corri um pouco. Acho que não valeu a pena, já que para me recuperar dessa façanha, rastejei por quinze minutos. Ainda mais porque ela, a ladeira da morte, continuava me esperando para o grande final. Mais íngreme que sempre, ela sorria pra mim.
Doeu, mas consegui. Fui de frente, como uma pessoa quase normal que sou.
Conclusão:
Foram 55 minutos de exercício físico. No fim da caminhada, minhas pernas estavam firmes, a cintura mais fina e acho que, pelo menos, uns 5 quilos mais magra. A pele estava lisinha o cabelo sedoso e bem mais comprido. E claro, rica.
Tá bom, vai:
Na verdade, foram 55 minutos de tortura. No fim da caminhada estava ofegante, com as bochechas rosadas, mãos, pernas e rosto inchados. Menos suor que o esperado e dor em quase tudo abaixo da cintura. Uma leve marquinha da regata nas costas e sede. Muita sede.
Vou atualizando por aqui. Mas podem apostar: em 6 meses, perderei 7 e não 5 quilos, meus cabelos crescerão, pelo menos, 2 palmos e eu exibirei a vitalidade daquela senhora-caranguejo. Quem sabe, até lá não posto uma foto do meu sonhado tanquinho.