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São Paulo, eu te amo

Começou.

Nós. Ônibus. Carro ou apartamento? Cunhada. Mãe e pai postiços. Pizza Hut. Risadas. Como treinar o seu dragão. Frozen. Ovo de Páscoa da Cunhadinha. Casinha. Conchinha. Café da manhã gordo. Irmã linda e cunhado querido. Carona. Museu da Língua Portuguesa – Menas. Sí Senhor (alguém me faz parar?!). Lindt, Ofner e Chicabon. Trem da Vida. Across the Universe. Mais Conchinha. Ui ui ui. Friozinho. Não vai embora, não. Tá bom. Tchau. Campainha. Surpresa. Morangos frescos e uvas sem sementes. Mais café da manhã gordo. Cunhada querida. Carona. São Cristóvão. Filé Mignon, mostarda e batatas portuguesas. Benedito Calixto. Chuva. Tentação. Compras. Ideias. Saia de cintura alta. Presente – Vestido lindo. Rochinha de groselha. Sottozero. Casinha. Chuva. Preguiça. Boliche com primos lindos e agregados. Perdi. Risadas. Fotos. Cheddar McMelt. Carona. Centro velho. Travestis. Prostitutas. Tchau tchau. Casinha. Conchinha. Ui ui ui. Café da manhã nem tão gordo. Filhos? Um tá bom! Vamos? Ah… Vamos! Ônibus, metrô e carona. Pai e mãe. Casa da irmã. Risadas e mais risadas. Muita comida. Saudades. Família inteira. Carona. Roupa limpa. Casa suja. Frio. Dormir sozinha.

Acabou.

Moça, a 8º Passageira

Terceiro dia de ônibus. Já tenho até bilhete único e falta pouco para entender a matemática dele. Hoje não tive mais que me agarrar com as duas mãos nas barras de ferro e nem fiz cara de pânico. Peguei o ônibus certo e, diferente do que fiz nos dias anteriores, nem precisei levantar três pontos antes com medo de perder o meu. Enquanto esperava o bus, até cogitei usar mais vezes o transporte público, mas acho que assim que meu possante chegar essa vontade vai embora.

Tenho 26 anos e estou me achando supermulherzinha. Estou trocando de carro e conto apenas comigo (ok, meu pai e meu namorado são coadjuvantes nessa história), mas de verdade, vou me endividar por anos só pra realizar essa proeza.

Não sou mimada. Não fui criada a leite com pera e Ovomaltine. Comecei a trabalhar aos 16 e isso não me fez mal. Perdi algumas coisas da adolescência, fiquei responsável chata um pouco antes que meus amigos, mas nada que me tornasse uma pessoa amarga. Tá bom vai, só um pouco.

Também não sou uma órfã. Meu pai me ajudou e continua ajudando muito. Me deu o primeiro carro e me ajudou a comprar o segundo. Fora isso, sempre emprestou o dele nos dias de rodízio – quer dizer, desde que decidi me aventurar a ser realmente uma motorista.

Tirei carta aos 19, mas só tive coragem para encarar o trânsito de São Paulo aos 21. Antes de me julgar, dá uma olhada no cenário. Eu morava em Lost (Grande São Paulo) e trabalhava na zona Sul. Isso quer dizer 32 km ou, se preferir, dois ônibus e metrô na companhia de passageiros que, contabilizando, deve ser equivalente à população da Guiana Francesa.

Para melhorar, do trabalho eu seguia para o cursinho que, além de não me render um puta diploma de uma universidade luxuosa renomada, me deixava tão exausta que me fazia perder a estação diversas vezes (sempre acordava assustada na estação metrô Itaquera e tinha que voltar um bocado).

Resumindo, sou uma tchambolona no coletivo. Vai ver que, o lance com minha ausência temporária entre os motoristas alucinados aconteceu para eu dar mais valor ao meu futuro possante. Quer dizer… Deve ter uma lição nisso tudo, né? Tenho pela frente mais sete dias de busão (incluindo um feriado prolongado). Espero que nesse tempinho, não role nenhuma história inusitada, mas se tiver ela vem pra cá.

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